açores, terceira^2006
quinta-feira, setembro 07, 2006
(...) entrámos e comprámos e comemos: a cabeça baixa fita nas bandejas, envergonhadíssimos do nosso descontrolo, evitando a culpa nos olhos um do outro.
Mas estava a saber-nos tão bem, porra, comprámos mais: o estômago parecia abrir-se á carne como o mar ao profeta. O meu amor arrotou, eu respondi «saúde» e um fio de riso começou a sacudir-lhe os músculos, a sacudir-me os músculos, nós de boca cheia cada vez mais ridentes, agora cómicos por causa roxidão dos engasganços; e pouco depois chegaram sem retorno as gargalhadas sonoras, abertas, javardas, os comensais do lado «olha os maluquinhos», mas a rir também e a fazer rir os próximos, peças de dominós caindo umas sobre as outras; e havia já quem se rebolasse nos ladrilhos, empregados que batiam os MacBonés no balcão, cáries expostas, lábios escorrendo ketchup como sangue de hemorragias internas e perdigotos de bolos alimentares insolúveis cruzando o espaço.
Saímos para a rua com os rins doridos e, enquanto vomitávamos na sarjeta, ocorreu-nos ir ao pinhal recuperar a muleta de alumínio lacado. Achámo-la logo à primeira – lembrávamo-nos muito bem do sítio –; e, ainda excêntricos dos últimos acontecimentos, quisemos ter uma hora sexual contra um pinheiro. Dele, baloiçando brutamente às minhas brutas investidas, soltou-se uma pinha sobre a nuca do meu amor. «Ai», protestou – e ocorreu-me logo a anedota da formiga e do elefante: «dói, não dói?» (meu deus, quanto riso há dentro de uma pessoa?, que não sei onde fomos buscar mais aquela dose).
António Gregório

linglaterra^2005
Mas estava a saber-nos tão bem, porra, comprámos mais: o estômago parecia abrir-se á carne como o mar ao profeta. O meu amor arrotou, eu respondi «saúde» e um fio de riso começou a sacudir-lhe os músculos, a sacudir-me os músculos, nós de boca cheia cada vez mais ridentes, agora cómicos por causa roxidão dos engasganços; e pouco depois chegaram sem retorno as gargalhadas sonoras, abertas, javardas, os comensais do lado «olha os maluquinhos», mas a rir também e a fazer rir os próximos, peças de dominós caindo umas sobre as outras; e havia já quem se rebolasse nos ladrilhos, empregados que batiam os MacBonés no balcão, cáries expostas, lábios escorrendo ketchup como sangue de hemorragias internas e perdigotos de bolos alimentares insolúveis cruzando o espaço.
Saímos para a rua com os rins doridos e, enquanto vomitávamos na sarjeta, ocorreu-nos ir ao pinhal recuperar a muleta de alumínio lacado. Achámo-la logo à primeira – lembrávamo-nos muito bem do sítio –; e, ainda excêntricos dos últimos acontecimentos, quisemos ter uma hora sexual contra um pinheiro. Dele, baloiçando brutamente às minhas brutas investidas, soltou-se uma pinha sobre a nuca do meu amor. «Ai», protestou – e ocorreu-me logo a anedota da formiga e do elefante: «dói, não dói?» (meu deus, quanto riso há dentro de uma pessoa?, que não sei onde fomos buscar mais aquela dose).
António Gregório
linglaterra^2005
terça-feira, agosto 22, 2006
As férias de praia são, se tudo corre bem, eu depois do jantar debulhando peles mortas das costas do meu amor e o meu amor debulhando o mesmo das minhas, tal e qual o meu avô fazia à minha avó, o meu pai à minha mãe – e quantos prelúdios de horas sexuais felizes, por mais nojento que me seja imaginá-las nos velhos, houve naqueles gestos?
Oh, mas nada cai do céu, só o sol, e ainda assim é preciso apanhá-lo, que a pele é teimosa e não debulha logo à primeira: portanto não me venham com merdas sobre evitar exposições demoradas, sobre usar protectores solares, que o cancro de pele é, aposto, uma invenção novo-riquista trazida de França pelos nossos emigrantes, mais a porcaria dos rebuçados e dos chocolates – se nunca antes dos anos oitenta ouvira falar no assunto.
Não me venham com merdas, dizia eu – mas vieram: O Grande Dermatologista invadiu a areia encabeçando os banheiros que sistematicamente, durante os primeiros dias, nos expulsaram do sono e do sol das duas da tarde a murro e pontapé, bradando raivosos que viéssemos, ao invés, pela madrugada ou ao lusco-fusco. Tem algum jeito?
Descobrimos então, quase ao acaso, nos arredores dali, uma praia secreta onde se podia trabalhar em paz para a debulha. Era um areal de tamanho modesto – claro, ou lá se ia o secretismo –, mas de composição belíssima: corpos vermelhos estendidos à torreira mais intensa, como camarões gigantes, o murmurinho amoral do mar sem bandeiras e um ou outro gemido de carnes acesas que sem querer se tocaram. (...)
António Gregório

portugal^2005
Oh, mas nada cai do céu, só o sol, e ainda assim é preciso apanhá-lo, que a pele é teimosa e não debulha logo à primeira: portanto não me venham com merdas sobre evitar exposições demoradas, sobre usar protectores solares, que o cancro de pele é, aposto, uma invenção novo-riquista trazida de França pelos nossos emigrantes, mais a porcaria dos rebuçados e dos chocolates – se nunca antes dos anos oitenta ouvira falar no assunto.
Não me venham com merdas, dizia eu – mas vieram: O Grande Dermatologista invadiu a areia encabeçando os banheiros que sistematicamente, durante os primeiros dias, nos expulsaram do sono e do sol das duas da tarde a murro e pontapé, bradando raivosos que viéssemos, ao invés, pela madrugada ou ao lusco-fusco. Tem algum jeito?
Descobrimos então, quase ao acaso, nos arredores dali, uma praia secreta onde se podia trabalhar em paz para a debulha. Era um areal de tamanho modesto – claro, ou lá se ia o secretismo –, mas de composição belíssima: corpos vermelhos estendidos à torreira mais intensa, como camarões gigantes, o murmurinho amoral do mar sem bandeiras e um ou outro gemido de carnes acesas que sem querer se tocaram. (...)
António Gregório
portugal^2005
sexta-feira, agosto 18, 2006
PETISCOS :)~
Bolo Lêvedo:
1 Kg de farinha de trigo
300g de açúcar
4 ovos
1 l de leite
1 colher de chá de sal
1 colher de sopa de fermento de padeiro
3 colheres de sopa de margarina
Queijadas de Vila Franca do Campo:
Para a massa:
250 g de farinha
3 gemas pequenas ou 1 ovo inteiro
meia colher de sopa de banha
1 colher de sopa rasa de manteiga
1 colher de sobremesa de açúcar
sal
Para o recheio:
2 litros de leite cru
coalho
6 gemas
1 clara
250 g de açúcar
1 colher de chá de manteiga
1 colher de sopa rasa de farinha
açúcar em pó (açúcar inglês ou de confeiteiro)

açores, s. miguel^2006
Bolo Lêvedo:
1 Kg de farinha de trigo
300g de açúcar
4 ovos
1 l de leite
1 colher de chá de sal
1 colher de sopa de fermento de padeiro
3 colheres de sopa de margarina
Queijadas de Vila Franca do Campo:
Para a massa:
250 g de farinha
3 gemas pequenas ou 1 ovo inteiro
meia colher de sopa de banha
1 colher de sopa rasa de manteiga
1 colher de sobremesa de açúcar
sal
Para o recheio:
2 litros de leite cru
coalho
6 gemas
1 clara
250 g de açúcar
1 colher de chá de manteiga
1 colher de sopa rasa de farinha
açúcar em pó (açúcar inglês ou de confeiteiro)
açores, s. miguel^2006
quinta-feira, julho 20, 2006
sexta-feira, julho 14, 2006
Já com a cabeça nos Açores! \o/
Aqui estamos nós, ainda que a falta de voluptuosidade dos modelitos não nos faça juz:
já de Pico subido, na praia do Porto Formoso no lado norte da ilha de São Miguel : )


podem fazer as vossas animações aqui.
Aqui estamos nós, ainda que a falta de voluptuosidade dos modelitos não nos faça juz:
já de Pico subido, na praia do Porto Formoso no lado norte da ilha de São Miguel : )
podem fazer as vossas animações aqui.
