portugal^2007
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quarta-feira, dezembro 12, 2007
quarta-feira, dezembro 06, 2006
quinta-feira, setembro 07, 2006
(...) entrámos e comprámos e comemos: a cabeça baixa fita nas bandejas, envergonhadíssimos do nosso descontrolo, evitando a culpa nos olhos um do outro.
Mas estava a saber-nos tão bem, porra, comprámos mais: o estômago parecia abrir-se á carne como o mar ao profeta. O meu amor arrotou, eu respondi «saúde» e um fio de riso começou a sacudir-lhe os músculos, a sacudir-me os músculos, nós de boca cheia cada vez mais ridentes, agora cómicos por causa roxidão dos engasganços; e pouco depois chegaram sem retorno as gargalhadas sonoras, abertas, javardas, os comensais do lado «olha os maluquinhos», mas a rir também e a fazer rir os próximos, peças de dominós caindo umas sobre as outras; e havia já quem se rebolasse nos ladrilhos, empregados que batiam os MacBonés no balcão, cáries expostas, lábios escorrendo ketchup como sangue de hemorragias internas e perdigotos de bolos alimentares insolúveis cruzando o espaço.
Saímos para a rua com os rins doridos e, enquanto vomitávamos na sarjeta, ocorreu-nos ir ao pinhal recuperar a muleta de alumínio lacado. Achámo-la logo à primeira – lembrávamo-nos muito bem do sítio –; e, ainda excêntricos dos últimos acontecimentos, quisemos ter uma hora sexual contra um pinheiro. Dele, baloiçando brutamente às minhas brutas investidas, soltou-se uma pinha sobre a nuca do meu amor. «Ai», protestou – e ocorreu-me logo a anedota da formiga e do elefante: «dói, não dói?» (meu deus, quanto riso há dentro de uma pessoa?, que não sei onde fomos buscar mais aquela dose).
António Gregório

linglaterra^2005
Mas estava a saber-nos tão bem, porra, comprámos mais: o estômago parecia abrir-se á carne como o mar ao profeta. O meu amor arrotou, eu respondi «saúde» e um fio de riso começou a sacudir-lhe os músculos, a sacudir-me os músculos, nós de boca cheia cada vez mais ridentes, agora cómicos por causa roxidão dos engasganços; e pouco depois chegaram sem retorno as gargalhadas sonoras, abertas, javardas, os comensais do lado «olha os maluquinhos», mas a rir também e a fazer rir os próximos, peças de dominós caindo umas sobre as outras; e havia já quem se rebolasse nos ladrilhos, empregados que batiam os MacBonés no balcão, cáries expostas, lábios escorrendo ketchup como sangue de hemorragias internas e perdigotos de bolos alimentares insolúveis cruzando o espaço.
Saímos para a rua com os rins doridos e, enquanto vomitávamos na sarjeta, ocorreu-nos ir ao pinhal recuperar a muleta de alumínio lacado. Achámo-la logo à primeira – lembrávamo-nos muito bem do sítio –; e, ainda excêntricos dos últimos acontecimentos, quisemos ter uma hora sexual contra um pinheiro. Dele, baloiçando brutamente às minhas brutas investidas, soltou-se uma pinha sobre a nuca do meu amor. «Ai», protestou – e ocorreu-me logo a anedota da formiga e do elefante: «dói, não dói?» (meu deus, quanto riso há dentro de uma pessoa?, que não sei onde fomos buscar mais aquela dose).
António Gregório
linglaterra^2005
terça-feira, agosto 22, 2006
As férias de praia são, se tudo corre bem, eu depois do jantar debulhando peles mortas das costas do meu amor e o meu amor debulhando o mesmo das minhas, tal e qual o meu avô fazia à minha avó, o meu pai à minha mãe – e quantos prelúdios de horas sexuais felizes, por mais nojento que me seja imaginá-las nos velhos, houve naqueles gestos?
Oh, mas nada cai do céu, só o sol, e ainda assim é preciso apanhá-lo, que a pele é teimosa e não debulha logo à primeira: portanto não me venham com merdas sobre evitar exposições demoradas, sobre usar protectores solares, que o cancro de pele é, aposto, uma invenção novo-riquista trazida de França pelos nossos emigrantes, mais a porcaria dos rebuçados e dos chocolates – se nunca antes dos anos oitenta ouvira falar no assunto.
Não me venham com merdas, dizia eu – mas vieram: O Grande Dermatologista invadiu a areia encabeçando os banheiros que sistematicamente, durante os primeiros dias, nos expulsaram do sono e do sol das duas da tarde a murro e pontapé, bradando raivosos que viéssemos, ao invés, pela madrugada ou ao lusco-fusco. Tem algum jeito?
Descobrimos então, quase ao acaso, nos arredores dali, uma praia secreta onde se podia trabalhar em paz para a debulha. Era um areal de tamanho modesto – claro, ou lá se ia o secretismo –, mas de composição belíssima: corpos vermelhos estendidos à torreira mais intensa, como camarões gigantes, o murmurinho amoral do mar sem bandeiras e um ou outro gemido de carnes acesas que sem querer se tocaram. (...)
António Gregório

portugal^2005
Oh, mas nada cai do céu, só o sol, e ainda assim é preciso apanhá-lo, que a pele é teimosa e não debulha logo à primeira: portanto não me venham com merdas sobre evitar exposições demoradas, sobre usar protectores solares, que o cancro de pele é, aposto, uma invenção novo-riquista trazida de França pelos nossos emigrantes, mais a porcaria dos rebuçados e dos chocolates – se nunca antes dos anos oitenta ouvira falar no assunto.
Não me venham com merdas, dizia eu – mas vieram: O Grande Dermatologista invadiu a areia encabeçando os banheiros que sistematicamente, durante os primeiros dias, nos expulsaram do sono e do sol das duas da tarde a murro e pontapé, bradando raivosos que viéssemos, ao invés, pela madrugada ou ao lusco-fusco. Tem algum jeito?
Descobrimos então, quase ao acaso, nos arredores dali, uma praia secreta onde se podia trabalhar em paz para a debulha. Era um areal de tamanho modesto – claro, ou lá se ia o secretismo –, mas de composição belíssima: corpos vermelhos estendidos à torreira mais intensa, como camarões gigantes, o murmurinho amoral do mar sem bandeiras e um ou outro gemido de carnes acesas que sem querer se tocaram. (...)
António Gregório
portugal^2005
sexta-feira, julho 14, 2006
Já com a cabeça nos Açores! \o/
Aqui estamos nós, ainda que a falta de voluptuosidade dos modelitos não nos faça juz:
já de Pico subido, na praia do Porto Formoso no lado norte da ilha de São Miguel : )


podem fazer as vossas animações aqui.
Aqui estamos nós, ainda que a falta de voluptuosidade dos modelitos não nos faça juz:
já de Pico subido, na praia do Porto Formoso no lado norte da ilha de São Miguel : )
podem fazer as vossas animações aqui.
terça-feira, julho 11, 2006
segunda-feira, julho 03, 2006
sexta-feira, maio 12, 2006
quinta-feira, abril 06, 2006
meus caros amigos S. e N.,
escrevo-vos porque temo que, dadas as stressantes circunstâncias de um safari moderno, voltem desapaixonados de África. ai :(
escrevo-vos porque a viagem que vão fazer não vos dará espaço para fazerem a tal viagem interior que África nos exige, a tal viagem instrospectiva, o tal contacto com as origens dos principios de tudo, com a pureza das poucas coisas que ainda existem naturalmente só por existir.
escrevo-vos porque temo que não possam experienciar como deveriam a grandeza das pequenas coisas, por não terem tempo para ficarem horas só a ouvir, horas só a ver, o sol a descer, a mutação da veracidade das coisas, porque em África uma coisa é verdade ao amanhecer e mentira pelo meio-dia e não devemos respeitá-la mais do que ao maravilhoso e perfeito lago bordejado de ervas que se vê além da planície salgada crestada pelo sol. Atravessámos essa planície pela manhã e sabemos que tal lago não existe. Mas agora está lá e é absolutamente verdadeiro, belo e verosímil.
escrevo, finalmente - em jeito de lembrete, porque insisto para que o leiam antes da partida!!! - para que não se esqueçam do nome do livro "VERDADE AO AMANHECER " do HEMINGWAY.
e depois, quando chegarem,
BEIJEM-NA, CARALHO!

tanzania^2002
escrevo-vos porque temo que, dadas as stressantes circunstâncias de um safari moderno, voltem desapaixonados de África. ai :(
escrevo-vos porque a viagem que vão fazer não vos dará espaço para fazerem a tal viagem interior que África nos exige, a tal viagem instrospectiva, o tal contacto com as origens dos principios de tudo, com a pureza das poucas coisas que ainda existem naturalmente só por existir.
escrevo-vos porque temo que não possam experienciar como deveriam a grandeza das pequenas coisas, por não terem tempo para ficarem horas só a ouvir, horas só a ver, o sol a descer, a mutação da veracidade das coisas, porque em África uma coisa é verdade ao amanhecer e mentira pelo meio-dia e não devemos respeitá-la mais do que ao maravilhoso e perfeito lago bordejado de ervas que se vê além da planície salgada crestada pelo sol. Atravessámos essa planície pela manhã e sabemos que tal lago não existe. Mas agora está lá e é absolutamente verdadeiro, belo e verosímil.
escrevo, finalmente - em jeito de lembrete, porque insisto para que o leiam antes da partida!!! - para que não se esqueçam do nome do livro "VERDADE AO AMANHECER " do HEMINGWAY.
e depois, quando chegarem,
BEIJEM-NA, CARALHO!
tanzania^2002
quinta-feira, maio 12, 2005
"Lungta", the tibetan prayer flags or "windhorses" not only symbolyze the tibetan people's struggle for freedom but they represent all sentient beings who aspire to the profound goodness and well being of every living existence, whatever its nature and who, despite suffering and injustice, look beyond the horizon with lucid eyes of strengh, beauty and hope.
So, when the windhorses feel the wind's touch, they fly and keep the spirits of pure thoughts and souls alive and spread them across the universe."

nepal^1998
So, when the windhorses feel the wind's touch, they fly and keep the spirits of pure thoughts and souls alive and spread them across the universe."
nepal^1998
quinta-feira, outubro 21, 2004
hj, por causa desta foto inventei esta maxima:
"o fim de um rolo e' sempre o fim de uma viagem"
pelo que me sinto mto bem e mto criativa :)
lisboa^2004
"o fim de um rolo e' sempre o fim de uma viagem"
pelo que me sinto mto bem e mto criativa :)
lisboa^2004
Etiquetas:
viagens de avião,
viagens pela imaginação
segunda-feira, agosto 09, 2004
viagens.tatas.txt
Tu irás escrever somente o que viste
Como (se de) um romance Anglo – Estado-Unidense (se tratasse)
A política do prazer
“A púrpura das montanhas é igual à púrpura das ondas” *
Na cidade. Dois Anjos
Fala-me do relativo e de como quando comeste carne de cão
Por favor não me fales de ti, deixa o mistério ficar
Respeita o teu culto – acciona o teu respeito
Aminhavida.pt mais astuasviagens.com
Tu contas a minha vida?
Como te amo meu Jet Lag
Não desejes o impraticável
A criação indubitável de combinações de sorrisos
Nós dos dedos
Planta uma árvore
Para não falar de souvenirs
Cristais bestiais
“existes e só és o teu absoluto vazio
Um homem são os homens que o acompanham” **
Adorava ler os teus diários de viagem, a incontornável escrita descritiva dos pormenores de cada dia. Os sentimentos.
A impetuosa saudação
- Uma indicação por favor. Onde estamos?
- Na tua cabeça. Dentro dela.
Todos os anos
Creio que Descartes chegou ainda a falar disso
Paulo Serra
* - Herman Melville “O Alpendre”
** - José Luís Peixoto “a criança em ruínas”
Como (se de) um romance Anglo – Estado-Unidense (se tratasse)
A política do prazer
“A púrpura das montanhas é igual à púrpura das ondas” *
Na cidade. Dois Anjos
Fala-me do relativo e de como quando comeste carne de cão
Por favor não me fales de ti, deixa o mistério ficar
Respeita o teu culto – acciona o teu respeito
Aminhavida.pt mais astuasviagens.com
Tu contas a minha vida?
Como te amo meu Jet Lag
Não desejes o impraticável
A criação indubitável de combinações de sorrisos
Nós dos dedos
Planta uma árvore
Para não falar de souvenirs
Cristais bestiais
“existes e só és o teu absoluto vazio
Um homem são os homens que o acompanham” **
Adorava ler os teus diários de viagem, a incontornável escrita descritiva dos pormenores de cada dia. Os sentimentos.
A impetuosa saudação
- Uma indicação por favor. Onde estamos?
- Na tua cabeça. Dentro dela.
Todos os anos
Creio que Descartes chegou ainda a falar disso
Paulo Serra
* - Herman Melville “O Alpendre”
** - José Luís Peixoto “a criança em ruínas”
